O Instinto do Câncer do Estado de São Paulo, ligado à Secretaria Estadual de Saúde, decidiu suspender a inclusão de pacientes nos testes da fosfoetalonamina sintética, conhecida como pílula do câncer, no tratamento do câncer. Os resultados iniciais da pesquisa, que já era feita com humanos, não mostraram melhora significativa na cura da doença.
Ao todo, 72 pacientes, de 10 diferentes grupos de tumores, foram tratados até hoje no estudo. Destes, 59 já tiveram suas reavaliações, e 58 não apresentaram resposta objetiva.
O estudo esperava resposta objetiva, ou seja, sucesso no tratamento, em 20%, o que não foi verificado. “Estamos anunciando a interrupção da inclusão de pacientes por questão ética. Não houve resultado” disse o secretário David Uip, na manhã desta sexta (31).
Apenas uma pessoa, com melanoma (câncer de pele), reagiu ao uso da fosfoetanolamina, segundo a pesquisa do Icesp. Outro estudo já tinha apontado resultados positivos do medicamento contra o melanoma, no entanto de maneira menos eficiente que a droga já usada no tratamento do câncer de pele — a cisplatina.
De acordo com o oncologista Paulo Hoff, diretor geral do Instituto do Câncer, só não é possível afirmar categoricamente que a fosfoetalonamina sintética não é eficaz em tratamento contra o câncer devido ao resultado positivo no paciente com melanoma.
“Se houver atividade (da pílula), ela está muito aquém. Não há justificativa para recomendar o uso desse produto rotineiramente para o tratamento do câncer”, disse Paulo Hoff.
A pesquisa usou dosagem com três comprimidos por dia durante o primeiro mês, que passou a dois comprimidos por dia após esse período. Essa era a dosagem recomendada pelo professor de química da USP Gilberto Chierice, que começou a distribuiu o produto. Os estudos feitos pelo governo de São Paulo custaram R$ 1,5 milhão.
Pesquisa em nível federal
Paralelamente aos testes feitos pelo Estado de São Paulo, outros estudos estão sendo conduzidos pelo Ministério da Saúde e pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, mas estão ainda em testes com células e camundongos.
Em agosto de 2016, Hoff havia dito que os objetivos das pesquisas em nível estadual e federal eram diferentes.
“O projeto federal é de desenvolvimento de produto. A missão que recebemos é determinar se o produto que já está sendo utilizado pela população tem benefício ou não, na dose que vem sendo distribuída. O fornecimento dessa dose específica é que está sendo exigido em quase 20 mil liminares concedidas pela Justiça.”
Fonte: UOL, em 31/03/2017
